Quinta-feira, Outubro 25

Bilbao

Bueno, aqui estou eu na Espanha, mais especificamente na cidade de Bilbao, bem ao norte, no País Basco, pertinho da França. Não tive muito tempo ou paciência para escrever até agora, mas finalmente aí vão algumas impressões que tive daqui: O idioma é mais tranqüilo do que eu esperava. As pessoas me entendem e eu as entendo. Até me disseram algumas vezes que meu castellano é muito bom. Consegui ministrar um treinamento em espanhol sem maiores problemas. Agora, o idioma basco, o euskera, é impossível de entender. Não se parece nada com nada que eu conheça. Todas as placas, sinalizações, etc. estão em espanhol e em euskera, tem um canal de TV só em euskera, e por aí vai. Aqui as pessoas são extremamente simpáticas. Todas as vezes que pedi informações na rua, as pessoas faziam toda a questão de ajudar, de indicar, às vezes até se acompanhavam até uma esquina para mostrar melhor o caminho. No trabalho, também todo mundo é muito gentil. Agora, o ritmo de trabalho aqui é outro. As pessoas chegam lá pelas 9h00 e ficam até às 18h00, é raro ver alguém trabalhando até mais tarde. Não tem siesta, isso é uma coisa mais do Sul, mas é comum levar até duas horas para almoçar. Quanto às comidas, aqui tem muito pescado, e tapas, ou pintxos - como são chamados aqui nessa região. São fatias de pão com mil variedades de coisas em cima, geralmente frutos do mar, queijo, ou presunto (jamón). Porém, todo mundo acha perfeitamente normal a pessoa ser vegetariana. Também aqui se come absolutamente tudo com pão, não existe fazer uma refeição sem pão, típico dos mediterrâneos. Até as tortillas, eles colocam dentro ou em cima de um pedaço de pão. E isso dos pintxos funciona assim: tem um balcão comprido com vários tipos, e as pessoas se servem e comem ali mesmo, em pé. Depois, jogam os guardanapos todos no chão. Não é bem uma falta de educação, é mais como uma tradição. O que já não se pode dizer do hábito de fumar em lugares fechados. As pessoas fumam em cima dos pintxos, fumam na mesa do restaurante, por todo lugar. É normal para eles, ninguém fica perguntando "se importam que eu fume?". As pessoas dizem "Vale!", o tempo todo, algo como "OK!" ou "Tá!" ou coisa que o valha. A paisagem é lindíssima, tanto das montanhas e praias, quanto das cidades. Muitas igrejas e prédios antigos, canteiros sempre floridos, praças cheias de árvores. Aqui também tem um dos museus Guggenheim, uma das principais atrações da cidade, com uma arquitetura metálica, toda estilizada, no formato de um "barco". Bem na entrada tem um enorme "cachorro vegetal", isto é, feito de arbustos e flores, o "Puppy". Quando eu fui lá, estavam fazendo manutenção nele, trocando algumas plantas, o que imagino que deve ser bem freqüente. Dentro do museu, tinha uma exposição de arte americana, mostrando a sua evolução desde o período colonial até hoje. Estava bonito, mas não pude ficar muito tempo porque quando cheguei já estava tarde. Também não pude comprar nada na lojinha do museu, tudo muito caro para nós, com o Euro a quase R$ 3,00. Masa algumas coisas valem a pena. As roupas da Zara aqui, por exemplo, apesar de não serem baratas, são melhores, mais bonitas e mais baratas do que no Brasil. Tem várias outras redes de lojas do mesmo estilo. Chocolate também é ridículo de barato. Hoje fui no super pela primeira vez e fiquei encantada. Aquelas barras de Lindnt, que são super caras no Brasil, aqui custam menos de dois euros, e têm uma variedade enorme. Também tem *muitos* produtos à base de soja: iogurtes, bebidas, sobremesas, de mil tipos e sabores. Saí de lá feliz! De resto, não consegui conhecer muito mais de Bilbao, porque todos os dias chego no hotel aí pelas 19h00, e as coisas fecham aí pelas 20h00. Como vou estar aqui no sábado, pretendo ver o "casco viejo", que é a parte antiga da cidade, com mercados e lojas mais tradicionais, prédios mais antigos e tudo.

Breve, fotos no Flickr, logo aqui à esquerda!

Sexta-feira, Outubro 19

España, muchachos

To indo para a Espanha as we speak, postando aqui de Garulhos. Não trouxe câmera porque eu sou uma cabeça de ovo. Corri tanto que só fui arrumar a mala umas 2h antes de sair de casa, e aí tinha que ficar algo de fora mesmo. Mas não se preocupem, vou comprar uma aqui no freeshop ou lá mesmo. A ida é a trabalho, chego lá amanhã (vou ter um domingo para passear!) e, em princípio, volto na quinta, mas pode ser que fique um ou dois dias a mais.
Ficarei em Bilbao, que é bem no norte, dicas de programas são bem vindas. Tem o Guggenheim lá, esse pelo menos vou fazer um esforço para ir de qualquer jeito!

Segunda-feira, Outubro 15

Vegetarianismo e meio-ambiente

Para o Blog Action Day, minha contribuição é mostrar um pouco do impacto da criação e exploração de animais. Eu tenho vários motivos para me abster do consumo de produtos animais, e o meio-ambiente é um forte motivo. Em primeiro lugar, a criação de gado é um dos principais motivadores do desmatamento. Na Amazônia então, nem se fala. O Brasil só perde para a Índia em população de gado. Esse gado compacta o solo que ocupa, tornando-o menos permeável e conseqüentemente menos fértil. Os seus excrementos poluem o solo e os rios, sem falar no ar. A quantidade de metano liberado pela enorme população desses animais é altíssima.

Além do espaço ocupado pelo próprio gado, há o espaço ocupado pela comida do gado. O mundo produz mais grãos do que seria necessário para alimentar a população mundial inteira, mas a maior parte desses grãos serve para engordar os animais para o abate, ou seja, para morrerem bem gordinhos e nós, pessoasm saborearmos sua carne.

Tudo isso já é bastante impactante, mas ainda não falei da água. Acredito que poucos duvidem da necessidade de preservar as fontes de água potável do planeta. Pois além de poluírem essas fontes, esses animais a consomem violentamente. Uma vaca que é criada para que seja retirado seu leite pode chegar a beber 95 litros por dia, no verão.

Levando em conta todas essas coisas, minha conclusão, independente de qualquer sentimentalismo, preocupação com a saúde, reconhecimento dos direitos animais, sem considerar nada disso, é a seguinte: se servindo dos animais como recursos próprios, a humanidade está dando um tiro no próprio pé.

Referências e algumas leituras adicionais:
Livestock's Long Shadow - relatório detalhado da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) sobre o impacto ambiental das criações. Em pdf.
Consequencias da pecuária para o meio ambiente - alguns dados e números, pelo Sergio Greif, da Sociedade Vegetariana Brasileira.
Economista do Banco Mundial critica gado na Amazônia - não só de vegetarianos vêm as críticas à criação.